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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Proposições para uma educação inovadora em 2017






























O movimento Maker surgiu na Califórnia, em 2005, com o objetivo de dar às pessoas a oportunidade de consertar seus objetos e máquinas e construir outros, além de reduzir o descarte e o consumo. O movimento parte da tônica “faça você mesmo”, tendo como base a ideia de que qualquer pessoa pode “construir, consertar, modificar e fabricar“ os mais diferentes tipos de projetos e objetos usando a mente e as próprias mãos. A cultura Maker teve impulso com o lançamento da revista Make Magazine e a partir de uma feira anual, a Make Faire, idealizada e lançada pelos fundadores do movimento, que reunia um universo significativo de pessoas, entre 50 e 125 mil, em três das maiores cidades dos Estados Unidos. A partir de então, muitos se juntaram aos makers (fazedores) e foram, inclusive, apoiados e seguidos por empresas e por pessoas de espírito empreendedor.
E foi com essa lógica que o movimento maker, encabeçado por educadores e especialistas, estendeu-se à área da educação, como uma estratégia para estimular o desenvolvimento do raciocínio lógico e o pensamento criativo, colocando o educando para pensar em como é possível construir ou consertar, assumindo o papel de protagonista no processo de elaboração e criação. Entre os estudiosos da educação que defendem a relação entre cultura Maker e aprendizagem está o professor Luciano Meira, da Universidade Federal de Pernambuco, que aponta a necessidade de os alunos mergulharem no que é de ordem prática, em contraponto ao modelo atual, centrado na teoria desvinculada da prática.
A estratégia de aplicação do “faça você mesmo” se apresenta tanto nas mais simples criações, realizadas por meio de ferramental simples, quanto na adoção de tecnologias de programação mais sofisticadas. Existem escolas que contam com laboratórios bem equipados e ferramental específico, como, por exemplo, impressoras 3D que cortam a laser, mas há outras que, mesmo não tendo aparatos tão sofisticados das novas tecnologias, organizam-se e abrem espaços para o exercício do maker, que pode ser realizado de forma simples, quando a escola dá aos alunos a oportunidade de colocar a mão na massa e aprender, tendo como possibilidade o pensar criativo e buscando soluções para questões que se apresentam no dia a dia e que podem ser solucionadas por eles mesmos.
Essa prática, além de resultar em belos frutos, tem gerado aumento no rendimento escolar de muitos alunos. E a pergunta que surge é: como fazer para colocar em prática essa ideia na escola?
Cristiano Sieves, especialista em Ludopedagogia, oferece três sugestões iniciais e certeiras para a implantação do maker na escola:
  1. A criação de um espaço maker, que pode ser uma sala de aula transformada em laboratório ou oficina, de forma que os alunos disponham de bancadas para manipular os objetos, criar, consertar, projetar. Sieves também sugere que o laboratório criado disponibilize materiais diversificados, tais como botões de roupa até materiais reciclados, cola, madeira e tantos quantos nossa criatividade aportar.
  2. Estímulo à formação da comunidade maker na escola, em que professores e alunos se unam com esse propósito. É preciso planejamento claro entre os educadores para que as aulas sejam espaços de enriquecimento prático.
  3. Intercâmbio entre makers, isto é, participação em workshops, outras oficinas realizadas fora da comunidade escolar ou troca de experiências que podem ser feitas por meio de videoconferência ou webconference, utilizando as novas tecnologias de comunicação de forma criativa para aproximar os distantes.


E o que os alunos testemunham?
O Instituto Porvir publicou recentemente o depoimento da aluna Maria Seixas Braga, do colégio Visconde de Porto Seguro, unidade Panamby, em São Paulo. Com 12 anos, ela já criou o próprio abajur, que conta com um sensor inteligente de luminosidade, cujo projeto foi desenvolvido com uma cortadora de vinil e um software de programação para Arduino. Em depoimento ao portal Porvir, a aluna explica: “Aqui a gente desenvolve muito esse trabalho maker. O professor explica o projeto, e o restante a gente faz por conta”.
Outro case de aplicação em escola, que atende crianças em situação de vulnerabilidade social e apontou resultados muito satisfatórios, ocorreu recentemente por meio do Projeto Âncora, em Cotia, São Paulo. Um professor da escola percebeu que, em dado momento de descontração, os alunos estavam brincando em volta de uma torneira, desperdiçando água potável sem perceber. A partir daquela situação, ele lançou para a classe a problemática da crise hídrica de São Paulo. Depois de oito meses de trabalho, os estudantes construíram um captador de água da chuva, depois de terem estudado física, química, geografia e matemática para entender a questão da seca. Pura aplicação de cultura maker.
Conheça outras boas experiências como essas acessando:
MENEZES, Karina; HARTMANN, Marcel. Aos poucos, cultura maker chega às escolas. Disponível em: http://infograficos.estadao.com.br/e/focas/movimento-maker/cultura-maker-e-coadjuvante-nas-escolas.php

SIEVES, Cristiano. 3 exemplos de como incentivar o movimento maker na educação. Disponível em: http://playtable.com.br/blog/3-exemplos-de-como-incentivar-o-movimento-maker-na-educacao/




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