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A escravidão sem chibata

As representações usuais do escravismo no Brasil, como se pode ver em pinturas, textos literários, artes cênicas e novelas, costumam dar mais ênfase a momentos tortuosos daquele período, como a vida nas senzalas, os castigos físicos e as condições em geral degradantes em que viviam os cativos. No entanto, um exame mais acurado desse momento da vida nacional mostra que nem sempre a chibata foi o meio preferencial para afirmar o amplo poder dos proprietários de escravos. Houve ocasiões em que seria mais vantajoso para estes buscar algum tipo de entendimento com o cativo do que simplesmente usar os mecanismos de imposição pela violência que tinham fartamente à disposição.
Um bom exemplo disso ocorreu durante o chamado Ciclo do Ouro. Ao contrário de outras fases de exploração comercial no Brasil, como a cana-de-açúcar e o café, baseadas nas propriedades rurais, a exploração aurífera se caracterizou por seu caráter fundamentalmente urbano, como se pode constatar, por exemplo, nas cidades hi…
Postagens recentes

Será que a escola vai ser sempre do mesmo jeito?

Na semana anterior, lançamos o primeiro de uma série de textos nos quais serão apresentadas, ao longo das próximas quatro semanas, a base para a compreensão do que é uma Educação 3.0 e as revoluções que estão inseridas nesse contexto, em especial a revolução digital pela qual estamos passando. Essa base para entendimento do tema é composta por três dimensões: Filosófica (introduzida no texto da semana anterior), Teórica e Metodológica.
No texto de hoje, vamos dar sequência à base filosófica já iniciada, por isso a denominamos Base Filosófica 2, tendo como referência as reflexões e conteúdos desenvolvidos pelo pesquisador e autor, doutor em Ciência da Informação, Carlos Nepomuceno, estudioso da Educação 3.0.

A PERGUNTA QUE PERMANECE
Será que a escola vai ser sempre do mesmo jeito? Para responder a essa pergunta, é preciso ter uma noção clara das bases que sustentam as instituições atuais. O que chamamos de escola tem origem no contexto da escrita impressa, cujo início se deu em 1450, na …

O mito dos bandeirantes

Até o primeiro quartel do século XIX aquela que é hoje a maior metrópole brasileira não passava de uma cidade bucólica e com fortes laços com o passado colonial. As grandes mudanças que transformariam o Brasil após a Independência haveriam de repercutir no desenvolvimento de São Paulo, que dentro de um tempo relativamente curto se tornaria a mais urbanizada e industrializada cidade do país. Mas, ao contrário de outras cidades ou províncias brasileiras que em vários momentos desempenharam função de liderança na vida nacional, como Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, os paulistas não dispunham de um cabedal histórico que refletisse a sua grandeza como povo.
Isso se devia principalmente à natureza da principal contribuição da província para a história e cultura do país, a atividade bandeirante. São Paulo foi uma espécie de quartel-general das muitas tropas de aventureiros que se deslocaram para vários pontos do que viria a ser o território do país em busca de riquezas. Graças ao ímpeto …

Abra a sua mente para a Educação 3.0

Ao entrar na sala de aula, o professor nunca pergunta se o aluno trouxe caderno, livro ou caneta, pois esses itens sempre fizeram parte do contexto da aula, e em alguns casos parecem até mesmo ser invisíveis, de tão habituados que estamos a eles.
Mas será que foi sempre assim? Não, a história nos mostra que houve outras tecnologias além do papel impresso. O pesquisador e autor, doutor em Ciência da Informação, Carlos Nepomuceno, estudioso da Educação 3.0, pontua que a “escola atual, chamada de 2.0, é filha do papel impresso que surgiu em 1450”. E que, anteriormente à escrita impressa, a forma de comunicação era o gesto. Conforme “caminhamos na história” (expressão utilizada por Nepomuceno), a tendência natural é que as tecnologias sejam cada vez mais aprimoradas e acabem por se transformar completamente, dando lugar ao inimaginável.
Como explicar essas revoluções ao longo da história?
Nepô, como é carinhosamente chamado pelos seus interlocutores, explica e fundamenta seu trabalho na …

A Igreja Positivista e o Brasil de hoje

Quando se estuda o Brasil da segunda metade do século XIX um item não pode deixar de ser destacado: o Positivismo. Filosofia desenvolvida na França por Auguste Comte, marcaria profundamente as visões políticas e principalmente os conceitos de ciência e conhecimento no Ocidente. Mas a despeito de todo o conteúdo de razão e saber filosófico ali presente, há uma faceta pouco mencionada do sistema criado por Comte, que é a sua dimensão religiosa. A chamada última fase da carreira intelectual do criador do positivismo acabaria por desembocar numa incursão pelo campo do místico-religioso. Profundamente influenciada pelo pensamento francês nesse período, a intelectualidade brasileira mergulharia fundo nas conceituações positivistas e alguns não deixariam de fora a religiosidade daí proveniente.
Assim, a Igreja Positivista, como acabaria ficando conhecida, alcançou entre nós uma considerável repercussão e, mais que isso, estaria ligada a muitos fatos fundamentais na história brasileira no limi…

O Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março, é comemorado o “Dia Internacional da Mulher”. Com o passar do tempo, essa data tornou-se um símbolo de festividades, com muitas flores e caixas de chocolate. Mas, apesar do quão agradável seja ganhar presentes, é importante que cada uma de nós, mulheres, saiba a origem desse dia para comemorar de forma muito consciente.

Como tudo começou...EVA ALTERMAN BLAY descreve que:
No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o trabalho fabril era realizado por homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12 a 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e frequentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta, operárias e operários eram considerados as “classes perigosas”.
A autora explica que, nessa época, homens e mulheres reivindicavam juntos melhores condições de trabalho (diminuição da jornada e proibição do…