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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Os santos gêmeos e a cura pela pureza das crianças

"São Cosme e Damião" pelo pintor barroco espanhol André Perez (1660 - 1727).





























.Os dois santos médicos teriam vivido e sido martirizados no século III, sendo mais duas vítimas da chamada Era dos Mártires, que diz respeito a mais um grande ciclo – o mais longo e talvez mais cruel de todos – de perseguições desferidas contra os cristãos, antes do seu grande perseguidor, o Império Romano, render-se ao culto ao rabi da Galileia, o que só vai ocorrer em torno do século IV. Os dois teriam nascido, segundo a maior parte dos biógrafos, no século III, numa localidade pertencente à grande região da Arábia, de família de posses, ligada à nobreza, enquanto para outros não chegavam a tanto, sendo porém ligados a grandes mercadores, atividade das mais ativas naquele lugar e época. Seus nomes seriam na verdade Acta e Passio e consta que ainda adolescentes migraram para outra região onde iniciaram suas atividades ligadas ao que na época se entendia por medicina.

A família teria ido tentar vida nova na Cilícia, no sul da Turquia, um local que nos primeiros séculos da era cristã abrigava uma grande movimentação de pessoas, interessadas nas atividades comerciais e nas universidades que funcionavam principalmente na mais importante cidade da região, Tarso, um efervescente centro cultural. É mais provável, porém, que seu destino na região tenha sido a Egeia, pois grande parte dos historiadores do cristianismo considera essa região como de palpitante atividade cristã. Por isso havia ali uma considerável presença de seguidores que, embora minoria e não contando com a boa vontade das autoridades romanas, expunham suas ideias apresentando os ensinamentos do Cristo.

Em momento de forte perseguição, não demoraram a ser acusados formalmente pelas autoridades, já que naquela altura era permitido levar a julgamento os que não apresentassem uma comprovação oficial de que eram participantes dos cultos do paganismo. O império havia instituído uma espécie de declaração, o Libellum, que atestava que determinada pessoa era adepta dos cultos pagãos. Muitos cristãos, temendo perseguições e o confisco de seus bens, compravam clandestinamente o documento ou o obtinham através de amizades com acesso à burocracia estatal. Mas os irmãos Cosme e Damião não estariam entre aqueles que abjurariam da fé para garantir a própria pele. Na frente dos juízes e dos senadores romanos não se furtaram a assumir a sua crença, de modo que, com tamanha ousadia, o destino dos jovens não podia ser outro a não ser os suplícios, que se prestavam a provocar à força a abjuração dos crentes cristãos.


Próximo ao final do século V, já populares por toda a Europa, o Papa Felix IV mandou construir em Roma uma basílica em homenagem a eles e, no século seguinte, com o Império Romano já tendo adotado o cristianismo como a sua religião oficial, o imperador Justiniano, ao revitalizar a província da Síria, onde estavam sepultados, mandou erguer um suntuoso templo capaz de atender à grande popularidade de que já dispunham naquela ocasião. Pelos seus feitos ligados à medicina, foram tomados como referência de várias instituições consagradas a essa atividade.

No século XI já havia sido fundada a primeira ordem de que se tem conhecimento em honra aos dois santos irmãos. A instituição se consagrava à fundação de hospitais e ofertas de serviços médicos, e já haviam inaugurado várias instituições por toda a região da Palestina. A ordem seguia as regras estipuladas por São Basílio, com os membros usando o hábito branco com a cruz vermelha e, na altura do cruzamento dos braços, uma coroa com a imagem dos dois santos. A mais antiga e conhecida associação médica da Europa, fundada no século XIII, a Confrérie et College de Saint Côme, que só viria a ser extinta quando da Revolução Francesa, os adotou como patronos. E, já no século XIX, quem quisesse obter o diploma de medicina ou de boticário devia pagar determinada quantia a uma importante irmandade vinculada aos santos Cosme e Damião.


Também ligada aos poderes de cura atribuídos aos dois irmãos está o procedimento conhecido na época como incubação, em que os enfermos se internavam nas igrejas dos santos e lá ficavam por muitos dias, como se estivessem recebendo um tratamento. Essa prática é certamente uma sobrevivência da antiga terapêutica do paganismo grego, praticada no chamado Asclepieion, templo dedicado a Esculapio, o deus greco-romano da medicina. Lá os enfermos se instalavam por dias e recebiam a cura através de sonhos, que eram relatados ao sacerdote do templo que então, a partir dos relatos, prescrevia o tratamento.


A associação dos dois irmãos com as crianças também deve ter colaborado para a construção de sua imagem. Afinal, sem os conhecimentos e os aparatos da medicina atual, era muito grande, no passado, o número de óbitos de crianças. Morria-se desde complicações no parto até problemas ligados à desnutrição e doenças ocasionadas pela total ausência de saneamento básico. Por tocar fundo na alma dos pais a morte de crianças em tenra idade, muita promessa e pedidos foram endereçados os dois irmãos santos e, a cada graça que lhes era atribuída, mais ia crescendo a devoção, inspirando naturalmente a construção de novas igrejas e novas festividades.


A devoção aos santos irmãos no Brasil veio, como é natural, com os colonizadores portugueses. A importância histórica de São Cosme e São Damião para nós é muito grande, pois foi em sua honra que se ergueu o primeiro templo católico do país, na cidade pernambucana de Igarassu, em 1530. A Igreja Matriz de São Cosme e São Damião constitui hoje um importante centro de visitação pelo seu conteúdo histórico, pois sua construção está ligada não apenas aos primeiros anos da colonização brasileira, como a outro importante período histórico: o da ocupação dos holandeses, que, nos conflitos bélicos pela disputa da região, saquearam e destruíram o templo no ano de 1634, sendo ela reconstruída duas décadas depois.


As rezadeiras do Brasil, espécie de curandeiras que muitas vezes substituem profissionais de saúde e às quais muitos atribuem poderes especiais de cura, são outro segmento que mantém estreita ligação com São Cosme e São Damião, com muita frequência evocando figuras dos dois gêmeos na hora de benzer as crianças e sanar os males típicos dessa faixa etária. Com galhinhos de plantas e orações específicas aliviam as espinhelas caídas, os nervos torcidos ou os ventres virados da garotada. Elas simbolizam, de alguma forma, a união de dois aspectos dos santos gêmeos, a cura e as crianças. Do mesmo modo, é quase generalizado entre elas o costume de não aceitar qualquer tipo de pagamento por suas rezas.


Os tradicionais doces distribuídos em homenagem aos dois também apresentam um caráter caritativo, pois afinal são alimentos que nutrem o corpo e oferecidos sem que se peça em troca qualquer coisa, motivo pelo qual a própria Igreja Católica estimula a prática de dar doces, mesmo sendo algo instituído a partir de uma visão típica dos cultos afro-brasileiros. Aliás, no dia dos santos as atividades nos templos católicos é tão intensa como a que ocorre nos terreiros de religiões de matriz africana, sendo muitas vezes os festejos praticados de forma conjunta, com os crentes assistindo as missas e participando das giras que são feitas em honra aos erês. O culto brasileiro a São Cosme e São Damião é uma das grandes demonstrações da religiosidade sincrética de nosso povo, pois envolve muitas relações históricas e míticas, que atravessam o tempo e o espaço e vão se fixar nas crenças aqui praticadas. Ao mesmo tempo todo o mito, o folclore, a devoção e a fé que estão envolvidos no culto aos dois gêmeos podem ter a função de manter vivo e atuante o lado criança presente em cada um, habitualmente deixado de lado nas lutas e exigências na vida moderna.


Assim, o culto à infantilidade, como o expresso em São Cosme e São Damião, é um modo brasileiro de retornar a suas origens, de estar atualizado com seus valores, normalmente postos em perigo à proporção que a vida no século XXI, com seus apelos racionais e tecnológicos, avança e determina estilos de vida e maneiras de viver. São Cosme e São Damião são a forma mais comum de as crianças brasileiras tomarem seus primeiros contatos com a religiosidade. O sagrado lhes chega de modo brando, doce, onde são postos em contato direto com as entidades de outra esfera, como iguais, crianças como elas. Essa experiência do crescer por caminhos tão singelos é, talvez, um pano de fundo que ajuda a sustentar a índole relativamente pacífica, solidária e sobretudo alegre dos brasileiros. E os santos gêmeos, persistindo na lembrança de cada criança do Brasil, têm sua parte nisso.


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Tecnofobia: Professor, você sofre desse mal?


























Para descobrir se você é um tecnófobo, marque um x nas perguntas abaixo para as quais você responderia SIM:

( ) Você é do tipo que ao comprar um celular escolhe o mais simples possível, sem se preocupar se toca mp3, mp4, se tem câmera, espaço de memória interna, memória externa, GPS etc.?

( ) Quando quer uma receita, ou descobrir os horários de transporte coletivo, ou mesmo precisa fazer uma pesquisa, você busca informações por telefone, livros e revistas, mas nunca consulta buscadores da internet, como por exemplo o Google?

( ) Você não tem interesse em procurar notícias na internet, por meio de computador, smart phone, preferindo assistir as notícias pela televisão ou jornal impresso?

( ) Quando o convidam para fazer uma videoconferência por celular (áudio e vídeo), você responde que prefere que liguem para o seu telefone fixo?

Se a resposta foi sim para pelo menos duas dessas afirmações, você é um tecnófobo e precisa de ajuda.

Mas, vamos entender o que é um tecnófobo. É alguém que, por não ser um nativo digital (geração que nasceu imersa nessa cultura), acaba criando aversão a tecnologias digitais. Entre professores da geração X e Baby Boomers, esse comportamento, em certa medida, ainda persiste. Isso ocorre porque boa parte deles sente dificuldades de aprender a usar esses novos equipamentos, acabando por acomodar-se e desistir do uso das tecnologias digitais.

A tal tecnofobia tem dificultado a implementação de tecnologia educacional, trazendo um atraso para as escolas, uma vez que hoje em dia é praticamente impossível deixar de conviver com esses recursos digitais. Então, o que fazer para trabalhar essa dificuldade?

Sugestões para vencer a tecnofobia:

Aceite que você é um imigrante digital e por isso precisará de ajuda para aprender a usar as tecnologias digitais. Pesquise, se permita testar aplicativos, games, redes sociais, saindo do mundo analógico. Não tenha medo de perguntar e aprender com seus alunos, criando pontes de diálogos. Lembre-se que as gerações mais jovens estarão sempre à frente, pela própria condição de nativo digital. Por isso mesmo, esse diálogo demonstrará a sua possibilidade de aprender com os mais jovens, fato que só poderá melhorar o relacionamento entre as diferentes gerações de professores e alunos. Humildade e aprender a aprender só trazem vantagens para a educação.

Concluindo, não queira ser um professor tecnófobo, que é uma espécie de analfabeto digital nessa viagem de um caminho que é sem volta, e que as mais novas gerações vêm percorrendo, com muita naturalidade: a evolução digital.

Palavras de uma imigrante digital...





segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Pedacinho da Suíça na Serra Carioca

Quem pensa que Nova Friburgo é apenas um polo de moda carioca está muito enganado. A cidade tem muito mais a oferecer, pois, envolta pela Mata Atlântica, é recheada de cachoeiras, riachos e reservas ambientais. Além, é claro, de ser a cidade mais fria do Estado do Rio de Janeiro.

Um lugar perfeito como dica do Boa Viagem!


Pontos Turísticos | Atrações Culturais

Praça do Suspiro
No centro de Nova Friburgo, está localizado este recanto, considerado um dos maiores pontos turísticos da cidade. É onde estão a Igreja de Santo Antônio, a Fonte dos Suspiros, o Teatro Municipal e o maior teleférico do país.

Pavilhão das Artes
Esse ponto turístico foi inaugurado nos anos 2000 e desde então vem expondo trabalhos artesanais, peças de cerâmica e madeira, quadros, tapetes, bonecas, entre outras atrações aos visitantes. O funcionamento do pavilhão é apenas nos fins de semana e feriados.
Quem é admirador das artes não pode deixar de conhecer o local!


Jardim do Nêgo
Um atelier a céu aberto criado pelo artista plástico Geraldo Simplício, conhecido como Nêgo. Os barrancos que circundam o sítio na Estrada Teresópolis-Friburgo simulam formas de mulheres, crianças, animais e outras imagens para os turistas apreciarem. O jardim se localiza no distrito Campo do Coelho.

Atrações ao Ar Livre

Parque Estadual dos Três Picos
O seu nome evoca os Três Picos de Friburgo, um imponente conjunto de montanhas graníticas que se elevam a 2.366 metros acima do nível do mar. A área do parque abrange os municípios de Nova Friburgo, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim e Teresópolis. É considerada a melhor atração das reservas da cidade, onde o trekking (caminhada de esforço leve a moderado por montanhas de difícil acesso, feita como desporte ou lazer) até os três picos é um desafio aos aventureiros.

Pedra do Cão Sentado
Um dos cartões-postais da cidade, é acessível após uma bela caminhada de um quilômetro e meio, que passa por cavernas e lindas grutas. O turista pode, enquanto caminha, observar as belezas naturais da Mata Atlântica. Uma aventura imperdível!

Cachoeira Indiana Jones
O nome induz a uma aventura de cenário hollywoodiano. A queda d'água está escondida atrás de uma formação rochosa, da qual provém o nome. Para vê-la, o turista deve entrar no córrego com água até o joelho e atravessar um corredor estreito entre dois paredões de pedra, que tem aspectos de caverna.
Para aliviar a caminhada, a recompensa são os poços perfeitos para o banho!


Gastronomia

A colonização suíça e alemã deixou um grande legado na culinária de Nova Friburgo, que se espalha pelos diversos restaurantes. As especialidades oferecidas são a truta e carnes de caça. Para amenizar o frio da serra, nada melhor do que uma mesa próxima a uma lareira acompanhado de um bom vinho.

O bairro do Cônego oferece o Polo Gastronômico, que reúne restaurantes a preços acessíveis com comida de qualidade.

Bon Appétit!






sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O turbulento século XVII brasileiro

O século XVII seria o da consolidação da presença portuguesa no Brasil. Com o avanço de instituições colonizadoras em praticamente todo o país, seria necessário também tratar de remover de alguns pontos tentativas de fixação nas terras, iniciadas por outras Coroas, como foi o caso dos franceses no Rio de Janeiro e no Maranhão e principalmente dos holandeses no litoral da capitania de Pernambuco.

Os conflitos que culminaram na expulsão dos holandeses aconteceram no rastro da Restauração portuguesa, em torno de 1640, quando Portugal derrota tropas da Espanha, recupera sua autonomia e as energias então se voltam para a preocupante presença batava em Pernambuco. Durante o tempo em que a Coroa espanhola exerceu sua soberania sobre Portugal, muitas questões referentes à colônia brasileira ficaram em segundo plano. Envolvida em muitas querelas durante aqueles tempos, os espanhóis minimizavam a ocupação holandesa no nordeste brasileiro. O sentimento português, ao contrário, era de grande indignação, pois, mais que uma disputa territorial, estava implicada uma preocupação que dizia respeito à própria Igreja, na medida em que a presença holandesa era também uma presença calvinista.

Os holandeses, que se fixaram em Pernambuco por volta de 1630, organizaram um tipo de colonização bem diferente do instalado por Portugal e, aos olhos de muitos, mais promissor por evitar certos ranços que dificultavam o desenvolvimento na colônia. O nobre Maurício de Nassau, colocado no comando da empreitada pela Companhia das Índias Ocidentais, empresa criada para a exploração colonial, desfrutava de bastante prestígio entre a população local e dava a aparência de que a vida naquela parte do país transcorria de forma harmônica, sobretudo porque havia um clima de certa liberdade religiosa.

Em 1643, no entanto, é deliberado seu retorno à Europa, e o modelo de exploração colonial que é imposto por seus substitutos não faz mais que reproduzir os quadros de autoritarismo e violência já conhecidos na colonização ibérica. O resultado foi a insatisfação geral por parte da população, o que criou o clima para insurreições e questionamento da ordem. Assim, o vigor recuperado pela Coroa portuguesa restaurada ajudaria para que a crença na possibilidade de expulsar os holandeses fosse cada vez maior.

A igreja, uma das forças mais atuantes naquele Brasil do século XVII, tratou de atuar nos bastidores enquanto as batalhas campais avançavam por terras pernambucanas. Interessados em manter a hegemonia portuguesa e prosseguir na obra catequética, os religiosos tinham, porém, muita cautela quanto a uma possível presença da Inquisição em terras brasileiras. Atuando a todo vapor na Europa e sediado nos países ibéricos, havia o risco de que o Santo Ofício despertasse para a iminente vitória portuguesa, pois sabia que, durante o domínio batavo, muitos cristãos novos e até mesmo judeus declarados, além de calvinistas, viviam livremente em Pernambuco.

Uma atuação mais presente dos inquisidores preocupava principalmente os jesuítas até por razões da própria visão religiosa mantida pela Ordem. Enquanto o Santo Ofício agia sempre obcecado pela ideia de pureza da fé católica, os inacianos tendiam a promover um tipo qualquer de adaptação da doutrina católica à fé dos catequizandos, criando muitas vezes uma religiosidade singular em cada lugar em que instalavam seus núcleos missionários. Além disso, eram muitas vezes tolerantes com protestantes e judeus, por manterem a crença de que poderiam converter os indivíduos dessas religiões para o seio da Igreja. O padre Vieira, por exemplo, se destacaria por enfrentar a Inquisição ao manter alianças com judeus portugueses, que acreditava serem úteis à causa da Restauração, questão que o jesuíta julgava de suma importância, posição que lhe valeria a alcunha de “amigo dos judeus”.

Em 1654, após muitas e sangrentas guerras, já não havia mais muitos vestígios da presença holandesa no Brasil. Mas algumas consequências restaram dos anos em que os batavos se instalaram em Pernambuco, principalmente em função de uma certa simpatia, por parte da população daquela região do país, pelo tipo de colonização que foi implantado por ali. Os conflitos que quase simultaneamente ocorreram nas capitanias do Norte também ajudaram para que se acendesse uma espécie de sinal vermelho quanto à insatisfação geral com os rumos da colonização.

Como defensores da fé, mas também do Império, os jesuítas haveriam de concentrar suas forças sobre o que poderia ser visto como um risco para a integridade das possessões portuguesas. Entre esses movimentos estava o de Palmares, à época pertencente à capitania de Pernambuco. Naqueles meados do século XVII, as fugas de escravos negros para a Serra da Barriga haviam aumentado consideravelmente, em função principalmente da substituição de Maurício de Nassau no comando da administração holandesa. Com a chegada dos novos gestores, os métodos de condução dos escravos nas fazendas e engenhos se revelaram mais cruéis do que aqueles praticados pelos próprios portugueses. Durante a Insurreição a situação ficaria ainda pior, pois, além do trabalho compulsório, os cativos eram forçados a lutar numa guerra cujo único estímulo era a manutenção da própria vida.

A recuperação das possessões onde estavam instalados os holandeses passou pela revitalização da catequese, que buscou expandir-se mais, a fim de firmar a presença portuguesa e cristã. Nesse projeto, era necessário confirmar os ideais católicos para os índios e também para os africanos, pois muitos deles haviam lutado ao lado dos batavos, em troca de liberdade ou da promessa de melhores condições de vida. Os religiosos, naquele Brasil em turbulência, talvez tivessem percebido antes de todos que naturais da terra e africanos seriam uma realidade cada vez mais presente e inseparável daquela colônia que um dia se tornaria uma nação.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Inscreva-se no Prêmio Nobel do Ensino

Professor, que tal ser reconhecido pelo seu trabalho e dedicação diária? A Global Teacher Prize Academy (GTPA) quer identificar educadores que se destacam e inspiram alunos, colegas e a comunidade. Na Revista Appai Educar há uma série de projetos pedagógicos bem-sucedidos que servem de espelho para diversos professores. Então, chegou o momento de você inscrever sua atividade, ou até mesmo indicar um idealizador, em um dos concursos mais conceituados da educação mundial. Docentes de escolas públicas e privadas podem participar da seleção. A ação pode ter sido desenvolvida em um curso on-line, na escolaridade obrigatória ou na faixa etária de 5 a 18 anos.

Para avaliar quais professores deram grandes contribuições à profissão, será levada em consideração uma lista de critérios. Entre eles:

• O alcance dos resultados de aprendizado dos alunos
• A adoção de práticas de ensino inovadoras
• A replicabilidade e escalabilidade da atividade
• O reconhecimento da prática do professor por alunos, colegas e pela comunidade
• A promoção de uma educação baseada em valores

A seleção dos projetos será feita por diretores de escolas, especialistas em educação, artistas, cientistas, dirigentes públicos, empreendedores técnicos, diretores de empresas e jornalistas, que compõem a GTPA.


Quer saber a qual prêmio você vai concorrer? Confira na versão on-line da Revista Appai Educar. Mas corra lá, o prazo para a inscrição vai só até o dia 14 de outubro. Boa sorte!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Após embate, Pedro II libera uso de saia para alunos
























.Um dos estabelecimentos de ensino mais tradicionais do país aboliu a distinção de gêneros no uniforme. Ou seja, a partir de agora cada estudante do Colégio Pedro II tem o direito de optar por qual modelo usar, o (antigo) feminino ou o masculino. A medida se torna ainda mais polêmica por se tratar de uma das instituições mais antigas e tradicionais, e que inspirou os formatos pedagógicos adotados por todo o país. Fundado em 1837, essa escola está diretamente ligada à formação da história brasileira.

Só para se ter uma ideia, é o recordista na formação de futuros presidentes da República: Floriano Peixoto, Washington Luis, Hermes da Fonseca e Nilo Peçanha, além do govenador do antigo Distrito Federal Pereira Passos.


Protesto Saiato

Mas a flexibilização nas vestimentas não foi algo decidido de maneira espontânea. Desde 2014 que vêm ocorrendo embates entre alunos, pais, professores e a direção. O ponto crítico foi o protesto denominado saiato, realizado há dois anos, como resposta à proibição de entrada de um aluno por estar trajando saia. Em junho deste ano, os meninos voltaram a protestar usando o traje do uniforme feminino, desta vez na porta do Colégio Militar em resposta a comentários considerados machistas dos estudantes da escola vizinha em redes sociais criticando o comprimento das saias das alunas segundistas.

Antes de chegar a essa liberação, algumas medidas vieram sendo tomadas. Desde maio, o Pedro II adotou o modelo de “nome social” na chamada, justificado pela reitoria como forma de não causar constrangimentos aos alunos de orientação sexual diferente.

A portaria já está publicada como “Normas e Procedimentos Discentes” no site da Instituição de ensino em que o uniforme ainda aparece como obrigatório, porém agora sem distinguir que peças são para uso masculino ou feminino.

Em texto, o reitor Oscar Hallack justifica que procura “de alguma maneira contribuir para que não haja sofrimento desnecessário entre aqueles que se colocam com uma identidade de gênero diferente daquela que a sociedade determina”.

Ainda em nota, Hallack afirma que “a escola não deve estar desvinculada de seu tempo e momento histórico”.


Falando em História…

O Pedro II tem 13 mil alunos que estudam em 14 campi, sendo 12 no município do Rio de Janeiro, um em Niterói e um em Duque de Caxias, além de uma unidade de educação infantil.

É o terceiro mais antigo do país ainda em atividade, depois do Ginásio Pernambucano e do Atheneu Norte-Riograndense.


Professores Ilustres:

Uma das marcas do Pedro II sempre foi a excelência de seus docentes. Fizeram parte de seus quadros grandes nomes nas áreas das artes, literatura, política, medicina, advocacia e outras profissões como: Arnaldo César Coelho, Aurélio Buarque de Holanda, Cecil Thiré, Euclides da Cunha, Heitor Villa-Lobos, José Veríssimo, Manoel Bandeira, além de Osório Duque-Estrada, autor do Hino Nacional.


Alunos que viraram referência

Pelas carteiras do Pedro II passaram nomes que se destacariam em diversos segmentos da sociedade brasileira. Entre eles o jurista Afonso Arinos; os escritores Alceu Amoroso Lima, Lima Barreto e Manuel Bandeira; os cantores Arlindo Cruz e Cássia Eller; os novelistas Dias Gomes e Gilberto Braga; os atores Fernanda Montenegro e Gerald Thomas; os jornalistas Fátima Bernardes e João Saldanha, além de um dos maiores sanitaristas do mundo, Oswaldo Cruz.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Saúde 10: uma década de história


Neste ano, o Programa Saúde 10 completou dez anos de atuação. Uma década para comemorar, principalmente, os desafios de propor a modificação da rotina diária e do estilo de vida dos associados da Appai. Uma meta que agrega a dedicação e a vocação de diversos profissionais da área, que não medem esforços orientando para que cada participante consiga cumprir seus objetivos. Através de atividades, como o Encontro Saúde 10, a Roda de Saúde e o extinto Cine Saúde 10, foram mais de 100 palestras, trazendo sempre em pauta uma temática instigante com a qual muitos associados se identificam. Eles, por sua vez, trazem suas experiências e as dividem com os demais, fazendo com que os eventos sejam o espaço de uma grande troca de informações, sempre orientados por uma equipe multidisciplinar altamente capacitada.

Mas não somente de palestras internas vive o Programa. Quem aí se lembra do projeto Arte de Cuidar da Vida, realizado no final do ano de 2010, quando os associados foram para o Centro General Ernani Ayrosa em Itaipava? Neste dia foram realizadas palestras e atividades recreacionais voltadas para o cuidado e a prevenção. Sem contar os eventos promovidos nas unidades escolares, que em breve voltarão renovados.


A partir de 2011 iniciaram-se os primeiros atendimentos em parceria com o benefício Caminhadas & Corridas com aferição de pressão arterial com aqueles que participaram de uma maratona. No ano seguinte, passou a atuar com novas atividades nas tendas das corridas, trabalhando com promoção da saúde em geral, levando aos associados esclarecimentos com nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, entre outros profissionais.

A Appai, no intuito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus associados, implantou o “Programa Saúde 10”, com foco na prevenção de riscos e doenças, e que tem como objetivo permitir ao associado viver seus momentos mais importantes com melhor qualidade de vida. O Programa conta com uma equipe especializada e interdisciplinar, desenvolvendo, junto ao associado e a seus beneficiários, atividades voltadas para a promoção da saúde, além do acompanhamento e controle dos resultados alcançados.




E, , para festejar essa data, a Appai convida todos os associados a participar da comemoração dos 10 anos do Programa Saúde 10, que acontecerá no próximo dia 21, a partir das 12h30, no Auditório, com diversas orientações e atividades.

Escola Inovadora na Prática – Como tecnologia, aprendizagem e avaliação estão presentes?















Nossos olhos, corações e mentes estão voltados para o Projeto Âncora, por meio da série “Destino: Educação - Escolas Inovadoras/2016”, apresentada nesse mês pelo canal Futura. Hoje vamos saber como tecnologia, aprendizagem e avaliação estão presentes no dia a dia desse projeto.

1. Tecnologia – Plataforma
“Você já viu uma Plataforma de Ensino? Então, a gente ousou construir uma de aprendizagem e não de ensino.”

Essa frase, dita pela coordenadora pedagógica do Âncora, Claudia dos Santos, ilustra o que de fato acontece no projeto. Os alunos têm ao seu dispor uma plataforma tecnológica arquitetada e desenvolvida para ser um ambiente virtual de aprendizagem, um espaço que contém tudo o que educando e educador precisam para favorecer a aprendizagem. É um ambiente colaborativo no qual os educandos encontram espaço para registro de roteiros, para planejamento, para trocas de mensagens, realização de atividades, e os educadores também interagem para envio de orientações gerais e específicas, troca de mensagens, registros de avaliações, dentre outras possibilidades.

Você pode estar se perguntando qual a relação entre avaliação, aprendizagem e tecnologia (ambiente virtual de aprendizagem)? Dê sequência à leitura e descubra.

2 - Avaliação Escolar
A avaliação praticada no Projeto Âncora é do tipo formativa, contínua e sistemática, o que significa dizer que o que é priorizado nesse processo é a própria aprendizagem de cada aluno, o seu desenvolvimento cognitivo e atitudinal, que demandas e dificuldades apresenta, e como pode superá-las. Cada aluno é visto no individual e no coletivo de forma contínua e sistemática. Neste sentido, as estratégias e encaminhamentos pedagógicos são modificados, se necessário, a realidade do aluno é considerada e o trabalho se desenvolve dentro de uma parceria entre educando e educadores, visando sempre a boa aprendizagem e o desenvolvimento do aluno, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), nossa lei máxima, que no Âncora é aplicada na essência.
Quando a LDB estabelece que a avaliação deve ser contínua e priorizar a qualidade e o processo de aprendizagem (o desempenho do aluno ao longo de todo o ano e não apenas numa prova ou num trabalho), usa outras palavras para expressar o que o jargão pedagógico convencionou chamar de avaliação formativa. O primeiro a usar essa expressão foi o americano Michael Scriven, em seu livro Medotologia da Avaliação, publicado em 1967. Segundo ele, só com observação sistemática o educador consegue aprimorar as atividades de classe e garantir que todos aprendam”. Denise Pellegrini
Fonte: http://novaescola.org.br/conteudo/395/avaliar-para-ensinar-melhor
É no ambiente virtual de aprendizagem, interagindo e aprendendo, que eles registram e sistematizam suas aprendizagens e, também, vão construindo conhecimentos. Para o Projeto, tudo que é aprendizagem é também avaliação, sendo as duas ideias tratadas como sinônimos, onde está uma, está a outra. Portanto, avaliação, aprendizagem e tecnologia estão intrinsecamente ligadas durante o processo.
“Na prática, todas as avaliações realizadas pelos educadores no decorrer dos dias são registradas no processo individual do educando, que resulta em uma síntese elaborada pelo tutor, acrescida da avaliação de atitudes e competências”.
Fonte: http://projetoancora.org.br/index.php?lang=port
Nesse case, aprendizagem e avaliação não se separam, mas convergem e priorizam tanto os aspectos cognitivos, quanto aqueles que envolvem os valores, conforme ressalta o coidealizador do projeto, professor José Pacheco:
Os registros de avaliação e as evidências de aprendizagem constantes dos portfólios de avaliação dizem-nos o que as crianças aprenderam, quer no domínio cognitivo, quer no domínio atitudinal”.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Um outro olhar sobre os jesuítas no Brasil

Pintura de Johann Moritz Rugendas, retratando rituais de indígenas brasileiros
.Um dos aspectos que pouco são comentados quando se faz referência à presença das missões jesuíticas no inóspito Brasil do século XVI diz respeito às dificuldades naturais e ambientais que membros da ordem tiveram de enfrentar para levar a cabo sua empreitada. Normalmente são evocadas as questões religiosas e culturais relacionadas à ação das nações que chegariam com o objetivo de explorar as terras do continente, o que frequentemente monopoliza as análises e nos faz deixar de lado alguns ângulos pitorescos do encontro cultural, se assim se pode chamar.

Foram sempre muitos os perigos e obstáculos enfrentados pelos padres para levar adiante o que acreditavam ser sua missão civilizadora às terras da América. A começar pela própria hostilidade do meio ambiente selvagem dos trópicos. Pode-se imaginar os missionários habituados à vida nos mosteiros e seminários na Europa, tendo que se mover pela selva, habitar casas improvisadas, alimentar-se com as estranhezas encontradas pelo caminho, enfrentar insetos nunca vistos e principalmente o calor intenso. Os exercícios espirituais, uma prática bem característica da ordem jesuíta e considerada essencial na formação do missionário, seriam sem dúvida fundamentais no fortalecimento da fé e na consciência da importância de um trabalho feito em prol da igreja Católica e para engrandecimento da obra de Deus, como afirmava o lema da Companhia. A disciplina e a obediência exigidas com todo rigor na educação dos padres também colaborariam para não fazê-los esmorecer diante de tantas dificuldades.

As doenças estavam entre elas. Expostos a insetos e animais peçonhentos e ao sol lancinante dos trópicos, os jesuítas desde sempre conviveram com febres, disenterias e dores, provenientes da exposição ao meio e à ingestão de água e alimentos. Isso sem falar nas epidemias que normalmente chegavam devastadoras e atingiam as vezes tribos inteiras, causando dezenas ou centenas de óbitos. Situação que os tornaria um dos pioneiros nos tratamentos de saúde no Brasil (além, é claro, da medicina nativa, em cuja fonte muito beberam), criando hospitais, descobrindo medicamentos e inventando soluções improvisadas para os problemas que atingiam o corpo.

Os deslocamentos ao longo das selvas do Brasil foram outro grande obstáculo que tiveram que superar. O terreno altamente irregular e acidentado de boa parte das terras, coberto de matas densas e vigorosas, exigiu muito dos missionários na sua busca por almas para a salvação. Guiados pelos nativos, tiveram de aprender a sobreviver em meio tão hostil. Dominaram técnicas e instrumentos indígenas como o arco e a flecha, navegaram em pirogas pelos inúmeros rios do país, caçaram, pescaram, escalaram paredões, desenvolveram técnicas de construção, inventaram objetos e tecnologias. Um bom exemplo dessas dificuldades com a hostilidade da natureza é o chamado Caminho do Padre José de Anchieta, uma trilha de quase 70 km aberta ao longo da serra da Paranapiacaba, no atual estado de São Paulo. Ativa desde 1554, a rota, íngreme em quase toda a sua extensão, ligava São Vicente, no litoral, ao colégio fundado em São Paulo de Piratininga, no alto do planalto. O cansativo caminho era uma alternativa a outro percurso, menos severo, mas que apresentava o perigo de atravessar terras de índios que naquele momento eram hostis aos missionários.

No entanto, mesmo com todas essas dificuldades os jesuítas estariam entre os primeiros a desbravar o interior do Brasil ao lado dos bandeirantes e sua obsessão pelos veios de ouro que esperavam encontrar. Inauguraram também aldeamentos na gigante Amazônia, nas regiões secas do Nordeste e do extremo sul do continente, sempre enfrentando e muitas vezes vencendo os obstáculos presentes nos vários biomas brasileiros. O resultado dessas aventuras foi que muitos missionários tiveram nas terras dos trópicos o destino final de suas existências. Vários sucumbiram ante os inúmeros surtos epidêmicos que assolaram os primeiros séculos de colonização. Venenos, picadas de cobras, acidentes nos perigos oferecidos pela selva e ataques de animais ferozes, entre outros, se encarregaram de abreviar a vida de vários missionários. As guerras também faziam vítimas. Imersos no cotidiano de algumas tribos, não raro jesuítas acabaram não mão de adversários, sendo considerados e tratados como inimigos. Não faltaram os que pegaram em armas pra lutar ao lado de etnias amigas. Alguns, enfim, perderam suas vidas ironicamente devorados justo por aqueles que esperavam catequizar e pacificar.

Os episódios de antropofagia foram bastante comuns nos primeiros tempos de Brasil colônia e alguns deles vitimaram missionários. Em 1554, poucos anos depois da chegada dos jesuítas, o convertido Pero Corrêa, um dos primeiros tradutores de idiomas nativos para os missionários (os conhecidos “línguas”), muito considerado pelos companheiros da catequese, perdia a vida assassinado por índios carijó. E na Amazônia outro jesuíta, o irmão Luis Figueira, teria parado, em 1643, no estômago de nativos do grupo aruã.

Mas o caso mais famoso de jesuítas devorados por povos praticantes de antropofagia seria sem dúvida o do primeiro bispo do Brasil, Pero Fernandes Sardinha. Apesar de não ser um jesuíta, seu cargo o colocava em contato direto com os missionários da Companhia de Jesus. Conservador e mal-humorado, se envolveu em várias discussões com o provincial Manoel da Nóbrega por discordar dos “improvisos” que às vezes os missionários precisavam realizar para prosseguir com o trabalho nas rudes condições de vida dos trópicos. Sardinha não teria simpatizado com os índios e achava abomináveis seus hábitos, talvez intuindo o futuro que lhe estaria reservado. Em 1556, quando retornava para a Europa depois de exercer cinco anos de bispado no Brasil, seu navio naufraga no litoral de Alagoas. Teria então sido capturado por índios caetés, que o teriam submetido a um ritual que incluía antropofagia. Apesar de certa discordância entre os historiadores quanto à forma como o fato se deu, a devoração do frade entrou para o imaginário do país como um símbolo do costume antropofágico de várias tribos que viviam em terras brasileiras.

Quando Oswald de Andrade publica em 1928 seu Manifesto Antropofágico, texto no qual atrela esse costume dos indígenas brasileiros a certas questões da cultura brasileira, encerra ironicamente a carta datando-a com a frase: “Piratininga, ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha”, numa referência bem-humorada a esse mais eloquente caso de antropofagia registrado nos primeiros tempos da colonização. Como se esse acontecimento de 1556 tivesse sido, esse sim, o atestado de nascimento do Brasil.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Empresa transforma poluição do ar em tinta de caneta


A Air Ink é uma startup do coletivo indiano Graviky Labs, formado por hackers, cientistas e artistas. A companhia desenvolveu uma técnica que consiste em transformar a poluição do ar – emitido por combustíveis de automóveis – em tinta.

Cada caneta Air Ink equivale a 50 minutos de poluentes dos escapamentos de automóveis. Os primeiros protótipos foram criados em Hong Kong e aguardam certificação para a produção de canetas em larga escala.


Histórico
A iniciativa surgiu da Tiger Beer, junto com o cientista Anirudh Sharma, do Instituto Graviky Labs, que recolheram partículas de poluição para produzir tintas não tóxicas.


Mas, afinal, como é possível?
O cientista Anirudh Sharma criou dispositivos que recolhem a poluição antes que ela atinja o ar ou nossos pulmões. Os gases poluentes são recolhidos por dispositivos instalados em carros, caminhões, barcos, entre outros. Os equipamentos ligam-se automaticamente assim que o motor é ativado, onde os gases fluem com a exaustão. Isso ativa o sensor de fluxo térmico, que envolve todo o sistema de captura. Quando as luzes do dispositivo estiverem vermelhas, o equipamento está cheio.

De volta ao laboratório, os resíduos de metais pesados e substâncias cancerígenas são removidos dos dispositivos. A fuligem purificada passa por vários processos industriais para a fabricação de diferentes tintas.


Exposição
Para promover a iniciativa, artistas gráficos de rua foram convidados para o lançamento da Air Ink, como Ken Lee, Calvin Ho, Xeme, Lei Lei, Smilemaker Aka Roes, Bao Ho, Cath Love, Kristopher Ho, Caratoes e Sinic, que criaram diversos desenhos pelas ruas de Hong Kong.


Fonte: Air Ink | Graviky Labs | Mistura Urbana.